segunda-feira, 14 de maio de 2012

Por uma política do lumpen

O lumpenproletariado consiste nos marginais. Nos miseráveis. Nos improdutivos e despossuídos. Nesses que não tem nem a grana nem a força. Que foram destituídos de todos os recursos. São as classes mais baixas. Mais baixas que as classes ditas oprimidas. O lumpen não é a classe trabalhadora, pois não tem nem a força de trabalho a oferecer. E, dentro do pensamento marxista, o lumpen nunca teve lugar.

O lumpen, na verdade, foi acusado por Marx de ser contrarrevolucionário. De estar alinhado à ordem capitalista. De que, se a revolução estourar, esses fracos vão estar do lado dos senhores, e contra o proletariado revolucionário de foice e martelo. Por não ter força material, o lumpen sempre foi descartado no mundo marxista.

Está na hora de um basta nisso. Os despossuídos não devem ser passados a fio de espada. Nem proletarizados. Nem escravizados. Precisam ser reconhecidos. Precisamos rejeitar esse ideal de revolução reservada só para os trabalhadores disciplinados, organizados, conscientes e musculosos, ou para os caudilhos, guerrilheiros e militares renegados, ou para estadistas, funcionários públicos ou intelectuais de esquerda. A revolução não terá revolucionado coisa nenhuma se marginalizar o lumpen.

Mas o lumpen é pouco atrativo para os revolucionários. O lumpen não quer trabalhar, não se organiza, não tem recursos, não tem consciência de classe, não tem força revolucionária e tem uma mentalidade capitalista. E nada a oferecer a nenhum projeto de poder.

O lumpen consiste nos vagabundos, delinquentes, moradores de rua, loucos, presos, desertores e todos aqueles que perderam todos os seus bens e todos os seus laços. Os que sofrem nos bueiros, nos manicômios, nas prisões, no submundo do crime, no meio do mato, nas mãos dos pistoleiros e nas brigas de gangues. Os que, no meio da cidade, lutam para sobreviver como se estivessem na selva. E são caçados como animais.

Acontece que a verdadeira revolução deve colocar o lumpen no centro. É a verdadeira revolução - uma revolução de laços, de posses, de liberdades e sociabilidades. Porque a revolução não é só a batalha campal e o tomar posse de algumas fábricas e caminhões e disputar projetos políticos dentro do partido. Nós queremos tornar as ruas habitáveis, deixar de trabalhar, acabar com manicômios e presídios. Revolucionário é levar ao extremo a nossa humanidade, e não reforçar a objetificação.

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