segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Por que Flower Power Studies?

Nós vivemos na contemporaneidade o que muitas vezes é chamado de 'Fim da História', esse tempo pós-queda do muro de Berlim, configurado pela Nova Ordem Mundial, pelo avanço do neoliberalismo e pela descrença nas utopias e transformações sociais. Mas essa interptação é falso. O discurso do Fim da História é um discurso de dominação, que fomenta o que ele diz simplesmente descrever: a descrença nas utopias. Só que na verdade, esses são tempos de agitação. São tempos de conflitos entre potências capitalistas e comunistas, de crises econômicas internacionais, de construção de alternativas ao neoliberalismo, de luta por independência nacional, de conflitos civis armados, de marchas pela liberdade, de produção de tecnologias limpas, de criminalização da homofobia, de questionamento da Guerra às Drogas, de maior repressão internacional, de crise da representatividade, de derrubada de ditaduras, de questionamento à Guerra ao Terror, de contra-mídia e de novas reestruturações partidárias no mundo todo.

Definitivamente, não é um tempo apropriado para recessos e individualismo - o discurso yuppie não condiz com a realidade. O mundo todo está percebendo que o mercado não dá lugar para todos e que, em vez de lutar por um espaço dentro do mercado, devemos lutar contra ele. E construir outras formas de sociabilidade.

Estes não são tempos neutros. Não são tempos de alienação. São tempos de conflito e violência. E a resposta a esse tempos não deve ser a apatia, mas a paz social. Devemos recuperar aquelas idéias dos outros tempos de agitação, de luta contra ditaduras e contra a Guerra do Vietnã, de luta contra a repressão sexual e a segregação racial. Estamos vivendo uma nova configuração das ideologias belicistas, e novamente precisamos responder com o pacifismo.



Nossa geração foi criada por pais que foram hippies em sua juventude, que trouxeram o amor incondicional, a liberdade de criação e expressão e a não-violência como valores centrais na educação das crianças. O coração pacifista já está aí. Esta é a nossa formação. Mas está na hora de construirmos um discurso consistente e explicitamente pacifista, em vez de nos escondermos no discurso niilista neoliberal.


A discussão sobre não-violência está escanteada dos movimentos sociais, que tem assumido um caráter mais classista e combativo. E, academicamente, a discussão sobre paz assume um tom Estado-centrado com os Peace and Conflict Studies. Mas o que precisamos não é simplesmente prever conflitos. Precisamos de respostas positivas, criativas e produtoras de subjetividade a esses conflitos, e não tecnicistas e Estado-centradas. Precisamos de um entendimento global do que pessoas e grupos sentem e pensam e de como produzir práxis pacifistas. Por isso, precisamos de Flower Power Studies.

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