Definitivamente, não é um tempo apropriado para recessos e individualismo - o discurso yuppie não condiz com a realidade. O mundo todo está percebendo que o mercado não dá lugar para todos e que, em vez de lutar por um espaço dentro do mercado, devemos lutar contra ele. E construir outras formas de sociabilidade.
Estes não são tempos neutros. Não são tempos de alienação. São tempos de conflito e violência. E a resposta a esse tempos não deve ser a apatia, mas a paz social. Devemos recuperar aquelas idéias dos outros tempos de agitação, de luta contra ditaduras e contra a Guerra do Vietnã, de luta contra a repressão sexual e a segregação racial. Estamos vivendo uma nova configuração das ideologias belicistas, e novamente precisamos responder com o pacifismo.

Nossa geração foi criada por pais que foram hippies em sua juventude, que trouxeram o amor incondicional, a liberdade de criação e expressão e a não-violência como valores centrais na educação das crianças. O coração pacifista já está aí. Esta é a nossa formação. Mas está na hora de construirmos um discurso consistente e explicitamente pacifista, em vez de nos escondermos no discurso niilista neoliberal.
A discussão sobre não-violência está escanteada dos movimentos sociais, que tem assumido um caráter mais classista e combativo. E, academicamente, a discussão sobre paz assume um tom Estado-centrado com os Peace and Conflict Studies. Mas o que precisamos não é simplesmente prever conflitos. Precisamos de respostas positivas, criativas e produtoras de subjetividade a esses conflitos, e não tecnicistas e Estado-centradas. Precisamos de um entendimento global do que pessoas e grupos sentem e pensam e de como produzir práxis pacifistas. Por isso, precisamos de Flower Power Studies.
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