segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quando o Estado é o patrão: a nova configuração das greves

O Estado é um patrão tão explorador e mão-de-ferro que faz com que seus servidores, que antes eram beneficiados pela proteção da máquina estatal, deflagrem greve buscando defender seus direitos. É tão mão-de-ferro que servidores do Estado não têm a possibilidade de recorrer à defesa dos direitos trabalhistas pelo Estado. E e por prestarem serviços à população, não têm nem o poder de pressão e barganha sobre o patrão e ainda são condenados e criminalizados por negarem o serviço a terceiros.

As greves hoje não estão sendo conduzidas pelo operariado industrial, que, parando a produção de mercadorias, consegue exercer uma pressão sobre os patrões a fim de garantir direitos trabalhistas. Por quê? Por que o operariado não faz grandes greves como essa do serviço público?

A exploração do trabalho e ausência de direitos trabalhistas está presente em diversas categorias profissionais: seguranças privados, operários da construção civil, trabalhadores da limpeza urbana, entregadores, atendentes de fast-food, atendentes de lojas de roupas, trabalhadores de serviços gerais, camareiros, atendentes de telemarketing, oficineiros, trabalhadoras domésticas, e a lista é extensa. O que todas essas categorias têm em comum, além da exploração do trabalho no serviço privado, é a ausência da greve ou outras mobilizações de classe como recurso. Seus vínculos trabalhistas são tão frágeis que qualquer contestação seria um ataque à empresa, ao contratante, ao patrão, e seria justificativa para uma demissão. A flexibilização do trabalho pautada pelo avanço do neoliberalismo tornou os trabalhadores do setor privado tão frágeis que a eles não é possível contestar ou fazer greve sem perder seu sustento. As enormes filas de candidatos a esses empregos fazem com que ameaçar parar de trabalhar não seja ameaça nenhuma. E o recurso possível a esses trabalhadores para garantir seus direitos é buscar um moroso processo judicial.

Os servidores públicos fazem greve enquanto o setor privado não faz por duas razões. Primeiro, porque eles ainda têm vínculos trabalhistas garantidos, e podem fazer greve sem serem despedidos, e tem união de classe para isso. Segundo, porque o Estado está assumindo uma política de cortes de gastos e demandando a flexibilização do trabalho, e se assemelhando progressivamente ao setor privado. É por se parecem mais com os trabalhadores explorados do setor privado, mas não tanto assim, é que os servidores públicos fazem greve.

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